quinta-feira, 9 de julho de 2009

Não tenho final

Sobrevivo solto

O papel é o meu outro eu

É minha continuação

É o meu corpo

A nossa função é funcionar

O ponto final é um crime

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Sacada do apartamento

Na sacada do apartamento vendo as ondas no mar
Vejo pessoas correndo e não sei onde querem chegar
Seus sonhos se fazem presentes, perdidos tentam se encontrar
Dentro de cada pessoa reside um imenso lugar

"O pensamento constrói o seu instante
E o que estava perto de repente ficou tão distante
Tudo era belo, mas nem tão real
Tudo era novo, era um mundo sobrenatural
Enquanto penso, exploro meu limite

Ignoro a realidade e vou além do que o sonho permite
Sou consciente na minha loucura interior
Mantenho a minha mente entre a paz e o terror"

Na sacada do apartamento vendo as ondas do mar
Vejo crianças sofrendo e lutando pra não se entregar
Seus sonhos se fazem presentes perdidos tentam se encontrar
Dentro de cada pessoa existe o mesmo lugar

"Crianças nos sinais
Vidros fechados pra esperança
E a distância é a culpada
É quem te faz nem olhar
Mas é que ali dentro

Existe um coração
Cansado em busca de amor
Existe um homem

Com seus olhos marcados
Lágrimas
Que só você pode enxugar"


Nada mais importa agora
Só o tempo que se foi
A sua essência eu sei que um dia vai voltar
Nada mais importa agora

O seu medo confundiu
E destruiu você

Da sacada do apartamento vejo minha vida passar
Me sinto cada vez mais perto, perto das água do mar
Sinto meu corpo voando e minha alma livre pelo ar
Começo a ver o meu fim, mas mesmo assim eu não quero voltar

"O tempo passa e não estou mais aqui
Troquei a minha certeza pelo incerto sonho de partir
Não sei pra onde, nem sei porque busquei
No infinito a saudade que eu mesmo criei
Tive a chance de aprender a dar valor a mim mesmo

Mas me vi por um instante distante do que é real
Repleto de sonhos me privei da verdade
E perdi pra coragem minha batalha mental"

Na sacada do apartamento
Tudo pode acontecer
Na metamorfose do tempo
A cada momento eu tento aprender

Aprendo e me privo das dores
Não choro, não posso deixar
O menino que hoje me guia
Ter sabedoria a ponto de errar

domingo, 17 de fevereiro de 2008

A vida vive vivendo!

Na simplicidade está o enigma
Nos pequenos gestos está o amor
Na porta entre aberta está o sentido
Na vida alheia está a permissão
No olhar está a verdade
No pensamento está o engano
No impossível está o sentido
No que você nunca teve está seu motivo
No seu rosto está a máscara
Com sua máscara a sua identidade arma a jogada perfeita
No invisível está a resposta
No seu fim está seu primeiro passo
No seu limite está sua liberdade
No que você nunca disse, está o que você sempre quis dizer
No labirinto está seu antídoto
Na noite está a positividade do dia
No dia está a escuridão, os fantasmas e a fantasia da noite
Nas suas certezas estão suas armadilhas
Na felicidade está a renúncia
Na perfeição estão os problemas
A sequência destes acontecimentos
Tráz as dúvidas que eternamente serão dúvidas
A tentativa de entendimento
Tráz as respostas erradas
CertamenteA única certeza da vida
É não ter certeza do certo
Quem sabe...
Na sua morte, pode estar a sua vida
E a sua vida
Quem sabe...
Pode nunca acabar
Quem sabe?
Ninguém!
Só a vida!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

No Fundo do Mar (Mundo Azul)




Meus pés no chão não me imperdem de ir além
Nasci na Terra, mas é no mar que eu me sinto bem

Apertem o cintos, mas não vamos decolar
Vamos fazer uma viagem até o fundo do mar
Conhecer os cardumes, os corais e os costumes
De um povo que sabe muito bem onde quer chegar
Harmonia total ensinando a humanidade
A razão e a vontade de buscar a eternidade
A viver sem esperar que a vida venha te chamar
O tempo é curto, mas se torna eterno se você acreditar
Que tudo pode ser como você quiser
Habitar a fé, e aceitar a vida como é
E se puder, um dia venha aprender
A porta do mar sempre estara aberta pra você
Pode saber que você vai se apaixonar
E se surpreender com a harmonia que constrói o mar
Não adianta é tudo ilusão
A vida te cega e você perde a chance e a razão


Meus pés no chão não me impedem de ir além
Nasci na terra, mas era um peixe antes de ser alguém


Estrela do mar, não existe pra brilhar
Ela encosta nas pessoas sem medo de machucar
Parece muita gente que existe por aí
Que diz estar do seu lado, mas só quer te ver cair
Cavalo marinho, galopa na esperança
Raro como a morte na mente de uma criança
Eu tenho medo de não mais ouvir sua voz
Me desperta pra viver, que eu vou pro mar
Que eu vou a sós
Quero cantar olhando a lua e o brilho
Que enfeitiça a paisagem, um convite ao paraíso
E bem no fundo se confunde de repente
Surge um mar de aquarela que derruba muita gente
Aqui na terra o futuro é temido por nós
Dentro do mar ele é o nosso porta voz
Termômetro que mede a distância e a razão
Sobrevivendo de acordo com a nossa permissão
Limita a natureza a se manter como consegue
O ser-humano destrói e isso dói, ninguém percebe
Isso é duro, isso é ruim, cada vez mais vai piorar
A gente se difere do mar no dom de aceitar

Meus pés no chão não me impedem de ir além
Nasci na terra, mas é no mar que eu me sinto bem
Meus pés no chão não me impedem de ir além
Nasci na terra, mas era um peixe antes de ser alguém


Antes de ser alguém, ainda não sou ninguém
Tenho nome, endereço, Rg, mas sou refém
Do tempo, da história, do sonho, de quase tudo
Ando livre pelo mundo, mas não posso exagerar
Tenho regras a seguir, compromissos a tratar
Obrigações a cumprir, uma vida pra administrar
O futuro me espera, o presente me desafia
E nesse dilema eu busco estar melhor a cada dia
Mas é só no mar que eu alcanço minha paz interior
E desse jeito eu enfrento minha dor
Preciso conseguir lembrar que na terra é diferente
E eu preciso ser forte pra sempre seguir em frente
E tudo que um dia eu sonhei, deixei passar
Não é como no mar, que o impossível te convém
Um brinde a liberdade, já é hora de lembrar
Que a vida não espera por você, nem por ninguém

Meus pés no chão não me impedem de ir além
Nasci na terra, mas é no mar que eu me sinto bem
Meus pés no chão não me impedem de ir além
Nasci na terra, mas era um peixe antes de ser alguém


Os tubarões aqui na terra estão em todo lugar
Engolindo nossos sonhos, destruindo nosso habitat
Somos a presa e aprendemos a viver assim
Não conseguimos traçar a felicidade enfim
Eu culpo a mim, pelo que não alcancei
Ainda está em tempo, o caminho não achei
Portanto sei, que respiro e tudo é capaz
Preciso querer mais, não só sonhar com a paz
Um brinde a esperança, que habita o paraíso
Nossa grande semelhança com o mar, é mais que isso
Golfinhos sonhadores, cardumes de fé
Amores eternos, sofrendo sem querer
E sem saber, que é difícil aceitar
Mas a dor é pra chorar e também pra aprender
Que se vive pra sofrer, e também pra ser feliz
E no planeta água, você faz o que eu não fiz
A terra é contradição, raridade, excessão
Amplitude tá no mar, felicidade e razão
Nesse instante vejo ao longe uma voz a me chamar
Vem pro mar, porque aqui é seu lugar

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Tabuleiro de egos

Fúria passageira
Há um rio na beira
Em busca de dor

Ódio foragido
Um instante, um amigo
Como um espinho no espaço

Pedras escondidas
Sementes, mentiras
Fetos valentes e incertos

Vidas roubadas
Perdidas, abandonadas
No outro lado do espaço

A luz se apaga
O mundo se mata
E brota a mentira surgida

Onda há medo, há vida
No começo vive a saída
O ponto final é recomeço

O dia se apaga
A luz é inútil
É a ditadura da alma

Tudo se vai de repente
Efeito serpente
Te ilude e te mata

É tudo corrompido
Há homem, há inimigo
Em vizinhanças incestas

Confronto, desgraça, pudor
Trair é mais que amor
Supera a fome de cama

Eu vejo ao longe uma guerra
Ainda é primavera
E o bebê por sua vida clama

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Vale a invalidez vivida "Simpatia é mais que amor"

Exbosso minha idéia
Em forma de expressão
Exponho-me informando
Os caminhos funebres
De nossa horda triste
Que sorrí das lágrimas
Quando nem existe
Um devaneio proposto
Um gesto simplório
De paladar sem gosto
Que nos traz a monotonia
Nos fazendo crer
Na saída que sofre
Ao nos ver viver
Como gotas que se desfazem
Ao cortar a gravidade
Pobres pedaços
Que fazem história
Engolindo memória
E vomitando ilusões
Chorando no dia-a-dia
Não sei o motivo
Não sei porque vivo
Pois nada alcanço
E nós
Jamais alcançaremos o mínimo
Do significado da essência vivida...
Se alcançar fosse pleno
Não ficariamos nos perdendo em devaneios
Nem em busca de lugares eternos e perfeitos
Nosso delírio seria nosso santuário
Nossa verdade nossa maior mentira
Em nossa vida não existiria saudade
O esforço vale muito e vale muito pouco
Do que adianta se curvar diante de si mesmo?
Conformidade
Linha curta
Obstáculo
Meu olhar às vezes me engana
Mas a ordem e os progressos nefastos que criei em mim
Jamais serão capazes de me ludibriar
É você que me engana
É você que se engana
O fim pode ser nossa última chance!
Nao tenha medo
Tudo que nasce morre antes

E tudo que morre renasce na eternidade...

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Há Um Dia...

Há um dia...
Um dia que muda tudo
Some o céu em um inócuo momento
Muda tudo, muda o mundo
Muda o tempo
Muda meu mundo sem eu perceber
Eis a minha prisão
A liberdade me condena
Meu medo distrai minha calma
Minha alma sai de cena
Nada sobrevive
Meu poema não é mais meu
Queria eu construir meu jeito
Algo simples...
Alvo notório, incoado e eterno
Um pobre ledo sem conhecer a lágrima
Há um dia que me sinto distante
Normal...
Posso desperdiçar chances
Mas não paro...
Reencarno e vou sozinho
Vou adiante munido de mim mesmo
Busco no fundo um mundo só meu
Onde tudo que vejo no pra sempre se perde
Há um dia...
A um dia não sou mais eu
Numa isopatia do amor tão fácil seria
Se tivesse eu certeza
De que a dor que sinto não é mais a que eu sentia
Seria mais fácil se o amor a tudo sobrevivesse
Se minha aflição me indicasse o que minto
Há um dia...
Que minha vergonha não se absteve
A um dia não choro
A um dia não moro mais no mar que blindei
Olhe em meus olhos...
Me sinta
E veja em meu mundo a loucura que me guia
A loucura que cura e encanta meus gestos
Não posso mais sonhar
Sonhando me deixo, sonhando me engano, me renego
Um brinde ao meu mundo
Um brinde a meus planos assassinos
Meu mundo é amargo
Há um dia...
A um dia encontrei dentro de mim
Meu sangue molhando o meu mundo inventado...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Um convite ao ponto de vista

Te convido
Venha conhecer minha vida
Sentir meu sentimento
Falar com minha voz
Sofrer com minha alma
Olhar com meus olhos

Te convido
Venha, entre em mim
Se tranforme no meu ponto de vista
Sofra o que suporto diariamente
Ande com meus passos
Chore com meus olhos

Te convido
Se veja em meus retratos
Retrate as imagens perdidas dentro de mim
Conviva com a minha convivência
Se una a meus pedaços
Conheça meus amigos, meus defeitos, minhas limitações

Te convido
Jogue meu jogo
Conte minhas mentiras
Aumente o volume e se deixe levar pelo momento
Busque o verdadeiro sentimento
Respire dentro da prisão do meu ego

Te convido
Enfrente a avalanche que enfrenta meu caminho
Lute por esta batalha que alimenta minha natureza
Desrespeite os gestos alheios
Julgue a incerteza sem ter certeza
Seja aquilo que seu julgamento falho condena

Te convido
Me consuma, me guie, se veja em mim
Não suma, se vigie, se veja por mim
Entenda a forma que eu te entendo
Jure e perceba o equívoco de um não
Se perca em minhas histórias

Te convido
Venha! Conviva... Que você vai perceber
Que a nossa diferença
Está em nossa semelhança
E apesar de pensarmos diferentes
Somos a mesma pessoa

Só muda a matéria
A fórmula é a mesma
Só muda a fórmula
A matéria é a mesma

O que somos não supera nada
Não ultrapassa sequer nossa imaginação
Somos um pedaço de nada
Numa vida sem direção.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

O Fantasma do Prefácio Cotidiano


Com os meus olhos sobre a existência humana
Eu descobri que a vida clama por status e poder
Sai de mim, me coloquei fora do cotidiano
Eu fiz um plano pra tentar compreender
Será que a culpa é de quem vive nesse mundo?
Ou esse mundo é o culpado por não nos deixar viver?

Infelizmente avistei bem do meu lado
Como tudo é diferente daquilo que mostra ser

Hoje eu só quero um pouco mais, sei que posso estar errado
Posso até ser o culpado mas o mundo é quem me faz

A noite escurece a paisagem, mas jamais poderá nos atingir
A clareza de nossas idéias planta uma semente pronta pra florescer

O brilho está nos fazendo cada vez mais se perder da razão
Desvendo enigmas sendo um homem distante tentando em vão aprender a sonhar


Com os meus olhos sobre a existência humana
Eu descobri que a gente existe
Pra fazer muitos viverem

Entrei em mim, e fui me desvendando
E percebi que a gente vive
Às vezes sem perceber

Eu vi que tudo na verdade não existe
E é a gente quem cria
A nossa forma de ver

E se eu existo, é pra ser alguém na vida
Mas as vezes esse alguém
Na vida eu não quero ser

E de repente eu descubro
Ser alguém é estar feliz
Mesmo que o mundo não pense assim

Por que no fundo
Se a tristeza me habitar
A verdade é que ninguém vai sofrer por mim



"SEJA VOCÊ MESMO, MAS NÃO SEJA SEMPRE O MESMO..."

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Semente

Vejo uma luz no fim do túnel, não sei se nela encontrarei a resposta para todas minhas perguntas ou se ela nada mais é do que um trem vindo em minha direção pronto para me fazer despertar de um sonho sem sentido! Afinal, há sentido? A nossa vida faz sentido? A sua vida faz sentido? É essa realidade que você tanto sonhou? Será que todas as pessoas que se foram queimadas como bruxas, enforcadas como loucas, esquartejadas para servirem de exemplo a uma sociedade infeliz não adiantou de nada?
A luz que vejo é a da dúvida e a única forma de decifrá-la é ir a sua direção, é enfrentá-la independentemente das renúncias e dos obstáculos pelo caminho. Não posso deixar a rotina não me deixar enxergar a falsa liberdade que me consome, não posso e não consigo. Se por acaso a luz for um trem não vou me abalar, toda luta tem um preço, todo sonho uma realidade para detê-lo.
Eu sinto que tem muita coisa fora do lugar, muita verdade escondida, muita vida com medo e muita idéia sem voz. Parece que tem uma conspiração contra a mudança ou talvez um receio de se lutar por algo abstrato e perder aquilo que se tem. O que me dói é ver que sorrisos cada vez menos habitam semblantes e que cada vez mais almas se entregam aos vícios buscando fugir do mundo real! Mais uma vez eu pergunto: É essa realidade que você tanto sonhou?
Não há dinheiro no mundo capaz de comprar consciências, mas infelizmente ele pode cegá-las. No entanto, cabe a nós enxergarmos além do que esta falsa sensação de normalidade nos impõe. Além do mundo há um mundo, de portas abertas, pronto para ser transformado, redescoberto e reinventado!
O caminhar pelo breu do túnel é infinito, o fim sempre trará um combustível a mais fazendo com que a descoberta alimente novas dúvidas e que estas dúvidas semeiem novos caminhos a fim de alcançar uma era onde o futuro seja uma eterna busca por algo novo. Se por ventura a arte de questionar se mostrar perecível será necessário recomeçar, afinal, “pra quem sabe olhar pra trás nenhuma rua é sem saída”!

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

NÃO HÁ NÓS

Todos nós somos atores
Mal capazes de acreditar na vida
Indecisos, sequer conhecemos alguém
O valor do homem não está em suas palavras
Não há verdade, também não há ilusão

Há algo invisível, além do mundo há um mundo
Pronto para ser descoberto, perfeito, frágil, fugaz
Toda cor e toda luz é inútil, se neste mundo não existe a paz
A paz de poder amar sem se preocupar com nada
A paz de sofrer tranquilo e navegar sem risco de voltar atrás

Todos nós somos atores
Nosso valor não existe, não existe o homem
Não existe nada, tudo existe pela falta de coisas
No fundo, tudo é perecível, meros castelos de areia
Tudo é breve, tudo culpa dos pés no chão

Não existe limite pra imagem, você é o limite
Você é o culpado, você é o único culpado
Pelo limite imaginário no santuário de sua alma
Você tentou inventar a mais cruel viagem
Sem rota e sem vontade, toda verdade foi-se ao sonhar

Todos nós somos atores, todos nós
Artistas de uma história inventada
Mudam as máscaras, mas o roteiro é igual no fim
A vida imita a arte, não acredito mais em nada
Pois só hoje percebo que jamais acreditei em mim...

sábado, 24 de novembro de 2007

S O M O S ?

Somos guardiões de nossa consciência.
Somos campeões de nossa guerra interior.
Somos escrivões de nossa própria história.
Somos profetas mascarados de mortais.
Somos as pétalas coloridas por instantes fatais.
Somos quimeras de um sorriso infindável, apenas isso, nada mais.
Somos transformados por nossa forma de viver.
Somos copiados cotidianamente sem perceber.
Somos encorajados pelo medo, sem temer.
Somos pedaços de fúnebres inspirações.
Somos curados por inócuas vidas, por nossas pretensões.
Somos culpados por nossas doenças e pela cura de nosso templo.
Somos o lar de nossa identidade, que na solidão, dá a luz ao vento.
Somos a coragem mútua do perdão alheio.
Somos na verdade a culpa que esconde a dor em nosso peito.
Somos o que acreditamos realmente existir dentro de nós.
Somos o que realmente acreditamos ser quando unidos estamos a sós.
Somos um instante de glória em uma distante memória num lugar qualquer.
Somos a falta de honra de uma história que sonha em fazer o que der.
Somos um recém nascido, constantemente em perigo, que insiste ser um ser imortal.
Somos um coração partido, em um distante destino, que fere o suicídio de uma alma sem fim.
O vazio nos enche de perguntas, perguntas cheias de razões.
O pavio nos ensina a aguardar a lenta rapidez do fim de tudo.
O aviso nos preenche com motivos, motivos preenchidos de ilusões.
O caminho nos anima a guardar e guardando escondemos soluções.
Existimos e habitamos existências, vivemos e inspiramos vidas.
Somos o medo na ida, a saudade na volta e a dúvida na eternidade.
Somos na verdade a falta de certeza, a força na tristeza e a angústia na saudade.
Somos o que não sabemos, o que não queremos, o que não podemos, o que tentamos não ser.
Somos e seremos sempre algo novo, sempre crescendo e mudando, a procura de um por que.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

O poeta das lágrimas ocultas

Eu não sou poeta, não conheço essa arte
O pó é tardio, mas sempre chega
Poetizando vidas no auge da dor...

O poeta tenta, tenta, tenta
Não cansado,
Tenta novamente
E sempre se perde nas perdas
Se afogando na solidão

Eu não!

Eu tento, tento, tento
Não disposto
Desisto novamente
Supero as perdas
E me afogo na solidão

O me alcança
A os atinge
E o que resta de mim
É uma palavra
Que transforma
A minha vida
Numa casa trancada a sete chaves

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

A música que ofusca o cenário

Um adeus pode se tornar um simples até logo no futuro.
Mas na coerência existente na dúvida, poder se torna raro e distante.
Quando por muito tempo perdura uma mesma coisa, a verdade é que não se é possível acreditar nela.
Vejo isso no cenário musical, pelo excesso de coisas vazias e de frágeis canções, a qualidade some, aumentando cada vez mais o espaço entre o bom e o ruím.
De repente some essa distância, some a coerência, é a diáspora da musicalidade.
Da falta de sentimento surge a invasão, surge a farsa.
É a falsa sinceridade que desconstrói toda e qualquer forma de arte.
Por isso procuro musicar minhas mudanças, reconquistar todo tipo de conselhos alheios que partiram sem deixar rastros.
O correr das horas semeia o ócio e a crença na impossibilidade de acreditar.
Não se enxerga o valor real da realidade, pois o ruim se torna bom, vítima do caminhar mais que normal de uma coisa que perdura pela falta de coisas!